Você se lembra dos tempos em que ia ao consultório médico e via paredes e mais paredes de prontuários em papel? Cada ficha de paciente era escrita em papel, muitas vezes com a caligrafia indecifrável do médico. Os arquivos iam do chão ao teto, talvez em prateleiras móveis, para que o consultório pudesse acomodar centenas, provavelmente milhares de prontuários.
O que aconteceria se houvesse um incêndio? Ou se um ladrão invadisse o local e roubasse os arquivos e seus dados pessoais? Embora as clínicas médicas certamente tivessem planos de contingência e de recuperação de desastres, com a evolução da tecnologia, também evoluíram os métodos de armazenamento de dados de pacientes.
Hoje em dia, quase todos os consultórios médicos possuem portais online. Esses portais representam conveniências e melhorias que vão além do aspecto prático. Acessar todos os seus dados médicos em um local centralizado significa que você pode visualizar e agendar consultas, gerenciar medicamentos e tirar dúvidas com seus profissionais de saúde. Também é vantajoso para o seu médico disponibilizar seus registros médicos online. Os médicos economizam espaço físico de armazenamento e melhoram o atendimento ao paciente, pois podem pesquisar e consultar informações do paciente — e acessar mais informações. Digitar registros de pacientes pode ser mais preciso e completo do que rabiscar. Mas o que é conveniente para a relação paciente/médico também pode ser conveniente para pessoas mal-intencionadas.
Mais registros eletrônicos de saúde (EHRs, na sigla em inglês) significam mais potenciais tesouros de informações privadas que podem ser exploradas por indivíduos mal-intencionados. Existe um vasto cenário – uma indústria inteira – de empresas, plataformas e sistemas destinados a proteger os EHRs. Mas essa proteção se resume essencialmente a duas funções principais. As informações de saúde devem ser protegidas enquanto armazenadas, por meio de criptografia ou alguma outra forma de codificação. E esses registros devem ser protegidos de forma que apenas uma pessoa autorizada possa acessá-los.
Como a biometria se encaixa no setor da saúde?
A biometria pode ajudar a reforçar a segurança no setor da saúde de diversas maneiras. A identificação de pacientes é uma área, com vários casos de uso, que está sendo amplamente considerada para aprimoramento por meio da biometria. Quando um paciente busca atendimento em um consultório médico, como o profissional de saúde pode associar essa pessoa ao seu prontuário correto? E se houver várias pessoas com o mesmo nome? A biometria é uma solução potencial para esse problema. Um paciente que escaneia sua impressão digital para ser comparada com um banco de dados de impressões digitais autorizadas reduz drasticamente a possibilidade de erro humano ou identificação incorreta.
Outras áreas incluem:
- Proteção contra ransomware: Organizações de saúde enfrentam um risco significativo de terem seus dados comprometidos. Ataques de ransomware atingiram 66% das organizações de saúde em 2021. 20% de todas as violações de dados são ataques de ransomware. Métodos robustos de gerenciamento de acesso, por meio de autenticação biométrica, podem ajudar os provedores de saúde a garantir que apenas indivíduos autorizados acessem seus registros.
- Prevenção de violações e manutenção da conformidade: A autenticação multifatorial pode ajudar a prevenir violações em portais de saúde online e outros sistemas internos/externos utilizados por profissionais de saúde. Por exemplo, exigir que os pacientes forneçam uma selfie e autenticação por voz é significativamente mais seguro do que exigir apenas uma senha.
- Combate à fraude : A segurança oferecida pela biometria reduz a possibilidade de um indivíduo cometer fraude fornecendo informações falsas ao se inscrever em programas ou serviços. Uma plataforma de autenticação robusta permite que os profissionais de saúde verifiquem documentos de identidade e garantam que aqueles que buscam atendimento sejam realmente quem dizem ser.
O futuro da biometria na área da saúde.
O armazenamento e a segurança de EHRs (Registros Eletrônicos de Saúde) são áreas em constante evolução, enfrentando ameaças que continuam a se desenvolver. A biometria demonstra grande potencial para impulsionar o setor de saúde como um todo, facilitando o armazenamento de dados por parte dos profissionais de saúde e o acesso a eles por parte dos pacientes. As áreas que apresentam maior potencial contínuo para o uso da biometria na saúde são:
Cadastro de pacientes:
O cadastro de pacientes e a comunicação subsequente com seus profissionais de saúde costumavam ser processos complicados, demorados e burocráticos para quem buscava atendimento. Com a biometria, os pacientes podem registrar seus dados biométricos, como impressões digitais ou escaneamento da íris, no momento do cadastro inicial na clínica. A partir daí, terão um processo de check-in rápido e fácil para consultas futuras, ou acesso simplificado e seguro ao seu portal online do paciente.
Eliminação de senhas:
O lugar ideal para armazenar senhas é na sua cabeça. O problema é que todos parecem ter dezenas de senhas únicas que precisam memorizar, e a capacidade de memória humana é limitada. Por isso, muitas pessoas se conformam em anotar senhas ou usar senhas iguais ou semelhantes para várias contas. O uso da biometria na autenticação significa que pacientes e profissionais de saúde não precisam mais se lembrar (ou enfrentar o risco de segurança) de acessar seus sistemas protegidos usando senhas. Por exemplo, quando um paciente tenta acessar o site do seu plano de saúde, ele pode receber uma mensagem no celular solicitando a captura biométrica. Somente a pessoa que possui o smartphone e consegue se autenticar biometricamente com sucesso poderá acessar o sistema. Essa abordagem poderia ser usada para verificar a identidade de alguém que está retirando medicamentos em uma farmácia.
Controle de acesso:
É claro que muitas áreas em um consultório médico ou hospital são restritas à maioria das pessoas. Postos de enfermagem, áreas de armazenamento de suprimentos médicos, a farmácia e a Unidade de Terapia Intensiva, para citar alguns exemplos. Proteger essas áreas com leitura de impressões digitais ou reconhecimento facial, por exemplo, proporciona um acesso mais seguro que não pode ser facilmente burlado e elimina credenciais que podem ser roubadas ou falsificadas – como crachás e cartões de acesso.
Lembra daquela pilha de arquivos de papel no consultório médico? A migração desses arquivos do papel para dados digitais foi vantajosa tanto para o médico quanto para o paciente. Mas, em última análise, serviu a um propósito maior do que qualquer outro: melhorar a experiência do paciente.
Ao transferir os dados para o ambiente online, as instituições de saúde podem prestar atendimento com mais eficiência, menos erros e mais segurança — desde que protegidas por medidas adequadas, como métodos robustos de autenticação. Pode parecer um consultório médico sem fileiras de arquivos e pilhas de pastas. Mas esse é um pequeno preço a se pagar pelos benefícios obtidos.