Por Bob Eckel
Este artigo foi publicado pela primeira vez no site Nasdaq.com.
Em junho de 2023, a Apple lançou oficialmente o Live Speech e o Personal Voice para pessoas com dificuldades de fala. Com a tecnologia Live Speech, o usuário pode digitar o que deseja dizer e fazer com que isso seja reproduzido em voz alta para outras pessoas. Além disso, o Personal Voice cria uma voz que soa como a sua, gravando 15 minutos de frases aleatórias do usuário. Juntos, o Live Speech e o Personal Voice são uma dádiva para pessoas com ELA, câncer de garganta ou outras condições que afetam a fala, pois permitem salvar e reproduzir suas vozes antes que a doença progrida.
Em mais uma iniciativa destinada a simplificar o acesso aos serviços, em outubro deste ano, a Amazon lançou o Passkeys, permitindo que os clientes da Amazon usem o mesmo reconhecimento facial, impressão digital ou PIN para desbloquear seus dispositivos e acessar os serviços da Amazon. O objetivo principal? Tornar o acesso às contas da Amazon mais fácil e seguro para todos os clientes, evitando o incômodo e a complexidade das senhas.
Diversidade, Equidade, Inclusão e Acessibilidade (DEIA) são motivadas pelo desejo de igualdade tanto no ambiente de trabalho quanto no mercado. À medida que as capacidades tecnológicas da Apple, Google, Amazon, Microsoft e outras empresas se expandiram e se renovaram, a biometria surgiu como um alicerce fundamental de seus serviços e recursos voltados para a DEIA. De muitas maneiras, a DEIA e a biometria estão cada vez mais interligadas. Isso significa que as soluções biométricas devem ser projetadas de forma a se alinharem e apoiarem a DEIA.
A biometria é uma área empolgante e em franca expansão, ganhando cada vez mais aceitação e tornando-se cada vez mais onipresente como forma de autenticação. Embora as senhas ainda sejam a forma mais comum de autenticação online, a biometria vem ganhando terreno rapidamente. No setor de bancos digitais, por exemplo, mais da metade de todos os consumidores que já utilizaram a biometria prefere esse método às senhas, tornando-o a opção mais popular.
Mas a biometria pode ser um terreno delicado, na medida em que processos que costumavam ser realizados por seres humanos (confirmar e certificar a identidade de indivíduos) agora são executados por computadores, deixando pouca margem para erros. No passado, certas modalidades biométricas, como o reconhecimento facial, foram criticadas por promover preconceitos; ou seja, por não serem tão precisas na correspondência ou na distinção das morfologias faciais de determinados grupos de indivíduos. No entanto, com o advento da DEIA, os investidores interessados no setor de biometria devem considerar até que ponto os fornecedores incorporam a DEIA em suas soluções, o que eliminaria em grande parte essa questão. Algumas perguntas a serem feitas incluem:
O provedor oferece suporte a várias modalidades biométricas?
Embora a impressão digital continue sendo a modalidade biométrica mais amplamente aceita e utilizada, é importante oferecer várias opções de modalidades para atender às pessoas com diferentes necessidades de acessibilidade. As empresas de biometria que estão prestes a se destacar como líderes oferecerão uma ampla gama de modalidades (rosto, voz, íris, impressões digitais etc.) com os mesmos níveis de excelência.
O provedor foi treinado com os conjuntos de dados mais diversificados possíveis, oferecendo um mecanismo integrado contra a discriminação?
Os melhores e mais abrangentes algoritmos são treinados com os conjuntos de dados mais diversificados do mundo, abrangendo diversas raças, etnias, nacionalidades e gêneros. Os algoritmos biométricos de melhor desempenho apresentam mais de 99% de precisão em diversos grupos demográficos, resultando em sistemas livres de preconceitos que oferecem um desempenho “quase perfeito”, com taxas de erro médias de apenas 0,1%. Lembre-se de que a DEIA visa tornar os serviços universalmente acessíveis; portanto, se um serviço for habilitado para biometria, ele não pode tornar o acesso mais difícil para um grupo de pessoas em comparação com outro.
O provedor tem como objetivo democratizar o acesso à tecnologia biométrica?
Antigamente, apenas grandes empresas já consolidadas podiam arcar com os custos da implementação de sistemas biométricos, devido ao tempo e ao trabalho iniciais extensos envolvidos na implementação e manutenção. Os provedores focados em DEIA adotarão um modelo de negócios que democratiza o acesso à biometria, eliminando barreiras e, em última instância, tornando a biometria disponível para uma gama muito mais ampla de empresas e, por fim, de usuários. Por exemplo, um provedor pode oferecer soluções baseadas em nuvem, soluções de “low code” e “no code”, recursos para desenvolvedores e uma rede sólida de parceiros capacitados para tornar a biometria uma possibilidade até mesmo para empresas menores.
Talvez o mais importante seja que os provedores sejam capazes de equilibrar de forma eficaz a facilidade de uso — uma premissa central da DEIA — com segurança de alto nível, proporcionando a todos as experiências on-line seguras, protegidas e altamente convenientes que merecem. À medida que as ligações entre a DEIA e a biometria continuam a se fortalecer, os investidores deverão ficar atentos aos provedores que não se limitam a “falar da boca para fora”, mas que “fazem o que dizem” — e, ao fazer isso, poderão colher excelentes recompensas.