A implantação dos prontuários eletrônicos de saúde melhorou a capacidade dos profissionais de saúde de trocar dados de pacientes com segurança. Os dados de saúde fornecem aos profissionais as informações médicas mais atualizadas, incluindo medicamentos, alergias e outros fatores relacionados à saúde que influenciam o tratamento. No entanto, o prontuário eletrônico de saúde só é eficaz se os médicos tiverem certeza de que o prontuário realmente pertence à pessoa que estão tratando.
Infelizmente, não existe um padrão para a identificação de pacientes nos EUA nem em grande parte da Europa. As instituições de saúde utilizam todos os meios possíveis para verificar a identidade dos pacientes. Isso é preocupante, pois a identificação incorreta de pacientes é uma preocupação global muito real:64% dos participantesde uma pesquisa do Ponemon Institute afirmaram que a identificação incorreta de pacientes ocorre com frequência em instituições de saúde. Oitenta e quatro por cento dos participantes afirmaram que a identificação incorreta pode levar a erros médicos que causam lesões ou até mesmo a morte.
Melhorar a identificação dos pacientes em unidades de saúde é, portanto, um passo importante para a criação de um ambiente global de saúde mais seguro e eficaz. Identificadores biométricos, como rosto, impressão digital, íris e voz, representam soluções viáveis para esse problema, especialmente em regiões onde credenciais de identidade confiáveis não são comuns.
Por que os métodos atuais falham
Muitos países, incluindo os EUA, utilizam dados demográficos e documentos de identidade para associar um paciente a um prontuário médico. Alguns métodos comuns incluem números de Seguro Social, documentos de identificação e informações como nome, endereço e data de nascimento. Isso tem se mostrado problemático por várias razões:
- Essas informações podem ser perdidas, roubadas ou obtidas pela internet e, em seguida, utilizadas de forma fraudulenta.
- Erros simples de digitação, de inserção de dados ou administrativos podem levar à criação de registros duplicados ou impedir a correspondência durante a pesquisa em um índice mestre de pacientes.
- As informações coletadas podem variar entre os prontuários eletrônicos; por exemplo, um paciente pode usar uma ligeira variação do nome em uma consulta e não usá-la em uma consulta médica posterior. Isso poderia resultar em registros duplicados com informações inconsistentes.
- Estudantes, trabalhadores temporários e migrantes podem ter informações demográficas em constante mudança, o que faz com que os dados não correspondam entre os diferentes sistemas de prontuários eletrônicos (EHR).
Muitas instituições de saúde tentaram utilizar algoritmos de correspondência para ajudar a eliminar registros duplicados e associar pacientes aos dados de saúde de maneira mais eficaz, mas os resultados têm sido,na melhor das hipóteses, mistos, de acordo com a The Pew Charitable Trusts.
Registros duplicados e correspondências incorretas de pacientes podem ter consequências graves. Tratar um paciente com base em um prontuário médico que não lhe pertence é perigoso. Não identificar uma alergia a determinados medicamentos, por exemplo, pode colocar a vida em risco. Diagnósticos errôneos e uso indevido de medicamentos são outros problemas graves decorrentes do tratamento do paciente errado.
As instituições médicas também correm o risco de ter prejuízo devido à recusa de pedidos de reembolso decorrentes da identificação incorreta de pacientes. Um terço dos pedidos de reembolso recusados resultou da identificação incorreta de pacientes,gerando um customédio deUS$ 1,5 milhãoem 2017, de acordo com uma pesquisa da Black Book.
Aproveitando a biometria como solução
Ao contrário das informações demográficas e dos documentos de identidade, um rosto, uma impressão digital, a íris ou a voz são difíceis de “roubar” ou usar de forma fraudulenta. Esses identificadores biométricos únicos permitem identificar os pacientes com confiabilidade e reduzir os riscos de identificação incorreta.
Impressão digital, reconhecimento facial e voz são modalidades especialmente acessíveis. Câmeras web, sensores de impressão digital e microfones são hoje tecnologias onipresentes, e os sistemas necessários para registrar, armazenar e pesquisar dados biométricos podem ser contratados como um serviço em nuvem.
Quando um paciente chega para receber atendimento, ele fornece dados biométricos que são então comparados com os registros existentes. Se for encontrada uma correspondência biométrica, os dados de identidade associados ao registro podem ser recuperados. Se não forem encontradas correspondências, os dados biométricos são registrados e utilizados como parte de uma busca em consultas futuras.
Implementação em larga escala da identificação de pacientes com base em dados biométricos
Alguns países da Ásia e da África já estão explorando o uso da biometria nos serviços de saúde, incluindo Quênia, Gana, Gabão e Índia. Os líderesdas nações africanasestão apostando na biometria para criar um padrão absoluto de identificação de pacientes que seja mais confiável do que os cartões de identidade. Outros benefícios promissores incluem a redução de casos de fraude, menos registros médicos duplicados e a capacidade de identificar pacientes inconscientes, de acordo com o Grupo do Banco Mundial.
A identificação baseada em biometria também é altamente precisa e mais acessível do que nunca. As tecnologias biométricas móveis se tornaram parte da cultura popular, assim como as ofertas econômicas de “biometria como serviço”,como o Indigo, da Aware, que fornecem registro e identificação biométricos como serviço, utilizando impressões digitais e reconhecimento facial por meio de uma interface baseada em navegador.
Por todas essas razões e muitas outras, a biometria está se mostrando um padrão viável para a identificação de pacientes, com grande potencial para melhorar a segurança dos pacientes e a qualidade do atendimento.