Viajar geralmente não é fácil. Quando saímos de casa para visitar outro lugar, só queremos chegar lá. Voos lotados e atrasos na retirada de bagagem são apenas a ponta do iceberg quando se trata de problemas relacionados a viagens. As viagens internacionais trazem seus próprios desafios, como longas filas na alfândega. Embora às vezes seja inconveniente, a proteção das fronteiras é fundamental para a segurança de um país e de seus cidadãos.
Felizmente, um avanço tecnológico está se mostrando promissor para agilizar as viagens e melhorar a segurança dos países em todo o mundo. E essa evolução tecnológica envolve um documento de viagem que já é essencial: o passaporte.
O que são passaportes biométricos?
Também conhecidos como passaportes digitais ou, mais comumente, como passaportes eletrônicos, os passaportes biométricos são semelhantes aos passaportes comuns de papel, com uma exceção especial. Incorporado na capa frontal, o passaporte eletrônico contém um microchip que armazena informações biométricas, como fotos, impressões digitais ou imagens da íris. Esse chip também possui recursos especiais de segurança que o protegem, impedindo adulterações e registrando qualquer tentativa de invasão. Se você está se perguntando se possui um, os passaportes eletrônicos são identificados por um símbolo universal na parte inferior da capa. O símbolo, um círculo situado entre dois retângulos, se assemelha a uma câmera.
Existem várias vantagens importantes dos passaportes eletrônicos. Eles geralmente armazenam em seus chips as mesmas informações que estão impressas na página de identificação em papel. Essa duplicação de informações torna extremamente difícil para os fraudadores adulterarem os passaportes eletrônicos, já que isso significaria alterar tanto as informações de identificação contidas no chip quanto o conteúdo impresso. A mera presença do chip e de seu conteúdo também funciona como uma medida de segurança, já que a duplicação de um microchip como os projetados pelos países emissores provavelmente não resistiria a uma inspeção minuciosa.
A história dos passaportes eletrônicos
A ideia de um passaporte que contenha dados biométricos pode parecer futurística, mas os passaportes eletrônicos já existem há muitos anos. A Malásia emitiuos primeiros passaportes eletrônicos do mundo em1998. Em 2003, a Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO) estabeleceu o padrão para os passaportes eletrônicos. Todos os países que desejam implementar passaportes eletrônicos devem seguir as normas estabelecidas por essa agência especializada das Nações Unidas. A Bélgica lançou o primeiro passaporte eletrônico em conformidade com a ICAO em 2004. Os Estados Unidos iniciaram sua própria implantação de passaportes eletrônicos em 2006. Embora todos os passaportes eletrônicos devam estar em conformidade com as especificações da ICAO, diferentes países optaram por implementar diferentes opções previstas na norma.De acordo com a ICAO, mais de 140 entidades estatais e não estatais emitem atualmente passaportes eletrônicos, com mais de 1 bilhão em circulação.
O que torna os passaportes biométricos melhores
Um passaporte eletrônico é excepcionalmente seguro. O que está armazenado em um passaporte eletrônico não pode ser alterado sem ser detectado. Isso significa que informações de identificação e dados biométricos, como a impressão digital do titular do passaporte, não podem ser alterados. Falsificar um passaporte eletrônico seria praticamente impossível. Conseguir um microchip e inserir os dados nele já seria difícil o suficiente, mas um fraudador também precisaria “assinar” digitalmente todas as informações inseridas, exatamente como faria o governo emissor. A assinatura digital é protegida por uma chave criptográfica privada.
Além da segurança, os passaportes eletrônicos trazem vantagens práticas. Na década de 1980, muitos países começaram a emitir passaportes legíveis por máquina. Caracteres especiais impressos nos passaportes de papel e lidos automaticamente por máquinas ajudaram a agilizar o processamento dos passageiros que chegavam nos controles de imigração. O formato legível por máquina também significava menos erros por parte dos funcionários e a possibilidade de comparação de dados com bancos de dados criminais e listas de observação. Todas essas vantagens continuam válidas com os passaportes biométricos, que permitem uma agilidade ainda maior em alguns pontos de imigração, já que máquinas como leitores de impressões digitais e da íris aceleram o fluxo de passageiros que chegam.
A entrada em alguns países, sob certas condições, exige o uso de um passaporte eletrônico. Por exemplo, quem deseja viajar para os Estados Unidos sem obter um visto, no âmbito doPrograma de Isenção de Visto (VWP), deve se inscrever no Sistema Eletrônico de Autorização de Viagem (ESTA). Um dos requisitos para a inscrição no sistema ESTA é possuir um passaporte eletrônico.
O que os passaportes eletrônicos podem significar para o futuro da biometria
Embora os passaportes eletrônicos tornem as fronteiras mais seguras e agilizem as verificações de imigração no curto prazo, eles podem ser um caminho para uma adoção mais ampla de sistemas biométricos. A adoção e o aperfeiçoamento da tecnologia dos passaportes eletrônicos podem significar uma migração para (ou, pelo menos, uma consideração mais cuidadosa de) outras formas de credenciais baseadas em dados biométricos. No início de 2021, Israel adotou seu “passe verde” — um aplicativo que permitia às pessoas vacinadas apresentar comprovante de seu status vacinal. Outros países, como a Inglaterra, também já implementaram passaportes COVID por meio de aplicativos.
Isso não quer dizer que todas as informações biométricas precisem estar armazenadas em um passaporte eletrônico ou aplicativo. E se o seu olho pudesse servir como prova de identidade? Ou a sua voz, ou o seu rosto? Os identificadores biométricos são uma medida de segurança mais robusta do que senhas, perguntas de segurança ou chaves físicas, que são suscetíveis a invasões, roubo ou duplicação. O reconhecimento de impressão digital já nos permite acessar nossos laptops, enquanto o reconhecimento facial está amplamente disponível na maioria dos smartphones para acessar registros financeiros e muito mais. A montadora Hyundai vem equipando seus SUVs GV70 com leitores de impressão digital desde 2021 e recentemente registrou uma patente para instalar scanners de íris em seus veículos.
Em breve, um simples escaneamento ocular poderá permitir que você não apenas ligue o carro, mas também ajuste automaticamente as posições do banco e do volante de acordo com suas necessidades. A transição gradual para os passaportes eletrônicos é importante não apenas pelo que isso pode significar para o setor de viagens. À medida que a tecnologia necessária para criar, proteger, escanear e processar esses passaportes eletrônicos se torna mais difundida, poderemos começar a observar a expansão desses conceitos para outras áreas de nossas vidas. Portanto, se algum dia no futuro você ligar seu carro usando sua impressão digital ou um escaneamento ocular, pare um momento e pense no pequeno microchip embutido em seu passaporte. Ele pode ter ajudado a abrir caminho para o seu próximo destino.
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