O número de casos de fraude de identidade aumentou 16% entre 2015 e 2016, de acordo com a Javelin Strategy & Research.
O setor financeiro ainda enfrenta dificuldades para combater os fraudadores. Apesar da crescente adoção de cartões EMV e de políticas robustas de criação de senhas, os clientes bancários continuam sendo vítimas de fraudadores, o que está custando caro aos bancos. Somente as instituições financeiras dos EUA perderam US$ 16 bilhões no ano passado em decorrência de fraudes.
O problema vai além da América do Norte. A ACI Worldwide constatou que 49% dos brasileiros e 56% dos mexicanos foram vítimas de fraudes com cartões no ano passado.
Qual é a solução? Instituições financeiras pioneiras estão começando a aprimorar os métodos convencionais de autenticação, como senhas e PINs. Muitos acreditam que softwares de reconhecimento facial e outras soluções biométricas são fundamentais para melhorar a segurança bancária.
O problema com as senhas
O uso de senhas traz uma ressalva importante: elas se baseiam no que as pessoas sabem. Os hackers podem recorrer a diversas táticas para obter essas informações.
Além disso, quanto mais complexas elas se tornam, mais fácil é esquecê-las. Quando um cliente de um banco esquece sua senha, ele pode receber um código temporário por e-mail para redefini-la. O problema é que alguém poderia usar um ataque “man-in-the-middle” para interceptar esse e-mail e usar o código para si mesmo.
Mesmo as perguntas de segurança não são totalmente infalíveis. Um cibercriminoso poderia examinar o perfil de um cliente nas redes sociais para descobrir informações importantes. Assim, ao tentar alterar a senha de um cliente, um hacker poderia responder a perguntas como “Onde você nasceu?” ou “Qual era o nome do seu primeiro animal de estimação?”.
A engenharia social também é uma tática comum entre os hackers. A Symantec observou que os fraudadores induzem os usuários do Gmail a revelar códigos de verificação criando mensagens que parecem ter sido enviadas pelo Google.
Resumindo: senhas não são suficientes para deter os fraudadores. O que torna o reconhecimento facial diferente?
Como o reconhecimento facial combate a fraude
A tecnologia de reconhecimento facial em um dispositivo móvel autentica os clientes com base em quem eles são, e não no que sabem. O reconhecimento facial em um dispositivo móvel oferece um segundo fator de autenticação, sendo o primeiro a posse do próprio dispositivo e o segundo uma imagem facial em tempo real. A autenticação multifatorial impõe mais barreiras aos fraudadores.
Embora o reconhecimento facial possa ser considerado uma das modalidades biométricas mais convenientes, ele apresenta um risco maior de suplantacão de identidade, dada a maior disponibilidade de imagens faciais de uma determinada vítima. Um hacker poderia tentar usar uma foto da pessoa de quem está se passando, o que costuma ser chamado de “spoof”. É por isso que é importante empregar meios para detectar spoofs, avaliando a “autenticidade” da imagem facial. Isso costuma ser chamado de “liveness detection” e se aplica a muitas modalidades biométricas, incluindo a impressão digital.
Vamos examinar outras maneiras pelas quais a biometria pode ser utilizada para ajudar a prevenir fraudes. Uma delas é como o reconhecimento facial pode impedir que hackers abram contas falsas. Suponha que um fraudador entre em um banco e peça para abrir uma linha de crédito usando uma carteira de motorista falsa com os dados reais de um cliente. Como parte do processo de cadastro, o caixa pede que ele se posicione diante de uma câmera para tirar uma foto, que é então usada para comparar com o registro biométrico do cliente conhecido e detecta uma incompatibilidade. Como resultado, o caixa notifica a gerência sobre o problema para que uma investigação mais aprofundada possa ser realizada.
A biometria facial também pode ser usada para acessar contas a partir de um computador. Muitos computadores, por exemplo, possuem webcams integradas. Sempre que um cliente bancário faz login em sua conta online, ele pode usar sua biometria facial como um fator de segurança adicional para acessar suas contas e solicitar transações.
De acordo com a IHS Markit, espera-se que os fabricantes adquiram 1,6 bilhão de sensores de impressão digital em 2020. Assim, se um banco quisesse exigir tanto o reconhecimento facial quanto imagens de impressão digital para a autenticação dos clientes, ele teria a opção de fazê-lo.
Como obter acesso à tecnologia de reconhecimento facial
Para bancos que dispõem de recursos para desenvolver aplicativos personalizados, os fornecedores de soluções biométricas oferecem kits de desenvolvimento de software (SDKs). Eles proporcionam às organizações a liberdade de criar sistemas biométricos que se adaptem aos seus processos específicos.
A Biometria como Serviço (BaaS) oferece uma maneira econômica para que instituições financeiras integrem a tecnologia de reconhecimento facial às suas operações. Os serviços web, executados na nuvem, permitem que as organizações realizem comparações biométricas sem a necessidade de instalar software. O BaaS permite que os bancos adquiram recursos biométricos sem investir em uma solução personalizada. As instituições financeiras têm acesso à tecnologia mediante o pagamento de taxas de assinatura mensais, em vez de pagamentos iniciais por licença.
Os fraudadores nunca vão parar, mas a biometria já demonstrou que pode tornar o trabalho deles muito mais difícil.